Prejuízos

Sobram buracos na cidade e população "solta o verbo"

População em áreas mais atingidas pela quantidade de buracos denuncia o caos

 

por Carolina Vasconcelos | qua, 08/01/2012 - 02:40

Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens
Comunidade dos Coelhos na RPA1

Quando se fala em saneamento básico, moradores do Recife logo se ressentem de viver numa cidade "recheada" de buracos. A pesquisa do Instituto Maurício de Nassau retrata bem esse sentimento quando mostra que o tema ocupa o terceiro lugar no ranking dos principais problemas que os moradores do município consideram existir na cidade - antes, os temas segurança e saneamento lideram, respectivamente.  

Num pedido de pausa para uma rápida entrevista, o gerente de vendas Maurício Rodrigues, que mora na comunidade Dancing Days, na Imbiribeira, há mais de 30 anos, já adianta o motivo da pressa para encerrar a conversa: “Tem que ser rápido. Estou indo ao médico e logo em seguida vou numa oficina para resolver o problema da suspensão do meu carro”. E a causa do “problema” do carro de Maurício não é difícil perceber. A rua Dancing Days não é pavimentada e coleciona buracos em toda a sua extensão. 

“Aqui a gente sempre roda e sempre cai nesses buracos”, complementa o morador. A mesma reclamação é compartilhada pelo vendedor Adriano Laurindo, que começou a trabalhar na comunidade e, em um mês, já ganhou um prejuízo de cerca de R$ 200 – orçamento obtido por ele para troca de peças em sua motocicleta em função dos danos causados pelos buracos da Dancing Days e de outras ruas do Recife. “Estou me segurando para fazer o serviço porque o gasto é alto, mas vou precisar resolver isso antes que a moto me deixe na mão. Andar com esse calçamento assim é complicado”, argumenta.

Robson Carneiro, taxista há 27 anos, adverte: “Rodar por aqui, só se for para deixar algum passageiro que venha de outro lugar mesmo. Venho a pulso”. No trajeto, o taxista utiliza apenas metade da via que ainda se mantém asfaltada para se livrar dos buracos. E os moradores dizem que a situação piorou depois de uma obra de saneamento realizada na rua. “Aqui tem mais buraco do que tudo. E quando chove fica pior ainda”, comenta o autônomo Luis Francisco da Silva.

Para a aposentada Maria Francisca da Silva, que já tem 73 anos e anda com dificuldade, o alívio é contar com o carro do filho para se deslocar. “Graças a Deus ele tem carro porque até para socorrer alguém aqui é difícil. Os táxis não entram e é preciso chegar na avenida principal para conseguir um”, conta. O neto dela, Armando Soares, atendente de farmácia, acrescenta que os vizinhos ajudam uns aos outros. “Quem tem carro dá uma carona para o outro num momento de necessidade. Só assim para a gente conseguir socorrer alguém”.

Ainda na Imbiribeira, próximo ao Geraldão, a rua Doutor Tavares Correia é o retrato do improviso. No lugar dos buracos, metralha. Mas nem assim os motoristas conseguem circular a mais de 20km/h. Kátia Durão, que mora próximo à rua há mais de 30 anos, evita o caminho. “Esses buracos estão sempre assim e, passar, só se a gente diminuir e muito a velocidade para não estragar o carro”, diz.

Nas ruas apertadas do bairro dos Coelhos, a realidade não é muito diferente. A aposentada Maria Lucia Cardoso, 65, chegou a pensar em se mudar do local onde mora há mais de 20 anos por conta de um buraco em frente à sua casa que, para piorar a situação, ainda libera esgoto e traz mau cheiro. O problema só foi amenizado quando os filhos da aposentada improvisaram um ajuste para o escoamento do esgoto e fecharam o buraco com brita. “Gosto daqui, criei meus filhos aqui, mas temos muitas dificuldades. Tem gente que não pode nem andar direito e sofre muito com essa situação”, desabafa.

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