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Recife: uma cidade ainda longe da paz

Em homicídios, números do Mapa da Violência registram a capital ocupando a 4ª posição no País

 

por Damares Romão | sab, 07/28/2012 - 14:46

Foto: Joel Calderon/LeiaJáImagens
No ranking da violência, Recife perde apenas para Maceió, João Pessoa e Vitória do Espírito Santo

Nos últimos 10 anos, Recife tem registrado uma redução nas estatísticas da violência, mas continua sendo uma das capitais onde mais ocorrem assassinatos. Mesmo apresentado uma queda na taxa de homicídios por cada 100 mil habitantes (passando de 97,5, em 2000, para 57,9, em 2010), a cidade permanece entre as mais violentas do Brasil.

Neste período, Recife passou da primeira para a quarta posição na lista das capitais com maior taxa de homicídios, perdendo apenas para Maceió, João Pessoa e Vitória do Espírito Santo, respectivamente. Os números fazem parte da pesquisa Mapa da Violência 2012 – Os novos padrões da Violência Homicida no Brasil. 

Só para se ter ideia ainda mais de perto dessa realidade, entre os meses de janeiro e maio deste ano, duzentas e cinquenta e quatro pessoas já foram vítimas de homicído na cidade, segundo a  Secretaria de Defesa Social (SDS), responsável pela segurança pública de todo o Estado.

Mas são as crianças e os adolescentes da periferia as principais vítimas dessa violência. Ainda de acordo com a pesquisa Mapa da Violência 2012 - em 2010 a cidade perdeu 187 crianças e jovens, de zero a 18 anos, em cada 100 mil habitantes. “É um verdadeiro genocídio com a população jovem nas capitais brasileiras e grande centros urbanos. Quem está morrendo e quem está matando são os jovens da periferia”,  afirma o membro do Movimento Nacional Desarma Brasil, Murilo Cavalcanti.

O envolvimento desses jovens com a criminalidade ocorre por inúmeros fatores. O comandante de policiamento da capital, coronel Gilmar Oliveira, aponta os entorpecentes como principal causa de tanta violência. “Os adolescentes estão roubando e matando para sustentar o vício das drogas e quitar dívidas com traficantes”. E chama atenção para as dificuldades de atuação da própria polícia ao ressaltar que "a ausência de infraestrutura dos bairros, a falta de iluminação pública em algumas áreas, e as comunidades não planejadas acabam dificultando o trabalho da polícia”. Na verdade, a abordagem do comandante toca diretamente na responsabilidade de uma gestão municipal. 

Ação - Falando em papel da Prefeitura, o militante do Movimento Nacional Desarma Brasil, Murilo Cavalcanti, considera que o poder público municipal, de fato, tem sido omisso em relação ao tema. “As prefeituras acham que essa questão é um problema só do Estado e isso não é.  Os prefeitos não cumprem o papel de estarem junto com o governo no combate à violência urbana. Falta de oportunidade, qualificação e espaços de convivência cidadã nos bairros, como parques, bibliotecas e praças de verdade, tornam o caminho para a marginalidade muito mais fácil e atrativo", ressalta Murilo.

Mesmo com tantos problemas e dificuldades, para ele mudar é possível. O militante  passou anos estudando soluções para a questão da falta de segurança no país e encontrou exemplos satisfatórios em Bogotá e Medellín, na Colômbia. Nessas cidades, as melhores obras (como escolas, bibliotecas e parques) foram construídas nos locais mais pobres. Com isso, problemas como educação e violência foram solucionados. “Nos anos 80 Bogotá tinha uma taxa de homicídios de 80 - a cada 100 mil habitantes - e hoje tem 18. Medellín conseguiu reduzir de 361 para 42”.

Ainda de acordo com ele, a realidade do Recife e de todo o Brasil pode ser modificada a partir da participação efetiva das prefeituras e no desenvolvimento de políticas integradas de segurança para a população. “A prefeitura precisa reconhecer o problema, perceber que ela tem um papel fundamental nisso e trabalhar de forma conjunta com o governo do Estado. Assim como na Colômbia, as melhores obras devem ser construídas para os mais pobres também no Brasil. E é preciso investir na capacitação dos jovens e na prevenção às drogas”.

Já o coronel Gilmar aponta a disseminação da cultura de paz e a participação da sociedade como pontos primordiais para que a atual situação de violência possa ser revertida. “Precisamos que tanto as igrejas, organizações não governamentais (ONG’s), governos e prefeituras estejam juntos nessa batalha. A sociedade, por sua vez, também deve participar em parceria com a polícia e denunciar as pessoas envolvidas com a marginalidade”.  

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