Mobilidade

Obras viárias no Recife geram críticas

 

por Damares Romão | seg, 07/30/2012 - 00:04

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Com uma população de 1,5 milhões de habitantes (1.536.934), conforme o resultado do Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a cidade do Recife possui, atualmente, 587.727 veículos cadastrados. Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE), que registra, mensalmente, um acréscimo de mais de 2,5 mil veículos.

Com o excesso de carros circulando pela cidade, transitar pelo Recife está ficando cada vez mais complicado - seja de automóvel, moto, ônibus, bicicleta ou até mesmo a pé, conseguir se locomover pelas ruas da capital pernambucana se tornou um constante teste de paciência. Faltam ciclovias, acessibilidade aos portadores de necessidades especiais e transportes públicos de qualidade. E faltam, também, novas vias com altenativas estratégicas para a harmonia do trânsito.

No quesito, as dificuldades dos recifenses também se estendem às calçadas da cidade, considerando que o município ocupa a 4° posição do ranking das piores calçadas do país. “Não há infra-estrutura adequada para se andar a pé no Recife”, aponta o arquiteto - urbanista e mestre em Desenvolvimento Urbano, Cristiano Borba. 

Uma série de ações de mobilidade urbana está sendo implantada na cidade, mas na opinião dos especialistas no tema é preciso muito mais integração entre os poderes, planejamento e parcerias.  As atuais obras viárias que ocorrem no Recife vão desde a construção de corredores ao desenvolvimento de terminais integrados. Para especialistas da área, essas iniciativas só refletem a magnitude do problema que atinge a maioria das grandes cidades brasileiras e, especialmente, "a Veneza Brasileira".

Segundo o  coordenador regional NE da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Carlos Cavalcanti, nem todos os projetos que estão sendo desenvolvidos irão solucionar os milhares de problemas enfrentados diariamente pelo recifense. “Alguns projetos, certamente, contribuirão para minimizar as dificuldades relacionadas à mobilidade. Mas outros resultarão em desperdício de recursos públicos, uma vez que não viabilizarão os resultados desejados”, garantiu.

Dentre as obras desnecessárias, ele aponta os quatro viadutos da avenida Agamenon Magalhães e o projeto de transporte público nos Rios Capibaribe e Beberibe. “Neste caso, não foram realizados os estudos que deveriam fundamentar uma decisão deste tipo”, alegou.

Já as obras que, de acordo com ele,  irão contribuir para minimizar os problemas decorrentes de mobilidade estão os corredores Norte/Sul e Leste/Oeste, a requalificação da avenida Norte, para uso prioritário por parte dos ônibus, e a implantação do BRT na avenida Domingos Ferreira. “Além disso, toda e qualquer obra voltada para a valorização dos deslocamentos a pé e por bicicleta terá papel importante no processo de aprimoramento das condições de mobilidade da nossa capital”.

Carlos Cavalcanti enfatiza que o poder de mudança se estende às prefeituras municipais. “ O prefeito deve se articular com o Governo do Estado e colaborar com ele para a identificação de soluções conjuntas e harmoniosas, mesmo nas intervenções que, aparentemente, se configurem como de jurisdição exclusiva da municipalidade, como por exemplo a construção de passarelas”, finalizou.

Confira as principais obras viárias em curso na cidade do Recife:

Via Mangue - Na capital pernambucana, a Prefeitura iniciou a execução da Via Mangue, a primeira via expressa da cidade. O Corredor terá 4,5 quilômetros de extensão, criando uma passagem exclusiva para o tráfego de veículos na Zona Sul da cidade. A avenida ligará o bairro do Pina diretamente às ruas que margeiam os canais Setúbal e Jordão.

A Via Mangue será composta por faixas de rolamento para veículos, calçadas para pedestres e ciclovia. No sentido Centro/Boa Viagem, a via terá 4,75km. Já no sentido Boa Viagem/ Centro, a extensão é de 4,37km. A obra engloba ainda a construção de dois elevados por sobre a rua Antônio Falcão, em Boa Viagem; oito pontes; duas alças de ligação, alargamento da Ponte Paulo Guerra e do Viaduto Capitão Temudo.

Com investimento previsto de R$ 555,8milhões com recursos do PAC da Copa de 2014 e do município, a previsão de conclusão do projeto é para setembro de 2013. O empreendimento já está com 25% de obra concluída.

Capibaribe Melhor - Também de responsabilidade da PCR, o Projeto Capibaribe Melhor, abrange um grupo de ações como construção e recuperação de parques, implantação do sistema de esgotamento sanitário, recuperação de 11 canais e intervenções de acessibilidade e mobilidade urbana.

Dentro do programa Capibaribe Melhor, será construída a ponte-viaduto semiperimetral (Monteiro/Iputinga), que permitirá a ligação da região de Casa Forte com as intervenções do Corredor Leste-Oeste na Caxangá. O equipamento terá 170m de extensão e 20m de largura, dos quais 14 m serão de faixa de rolamento (7m para cada sentido).

As obras foram iniciadas em maio, com intervenções de drenagem nas ruas à margem direita do rio, assim como a escavação para o batimento das estacas. Ela faz parte do subsistemas viários A, B e C, que contam com um investimento total de cerca de R$ 43 milhões, sendo 70% financiado pelo Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento – BIRD.

Viadutos da Agamenon Magalhães – Os elevados fazem parte da segunda etapa do Corredor Norte-Sul, que tem início no Shopping Tacaruna, em Olinda, e segue até o Terminal de Integração Joana Bezerra – um total de 4,7 km de extensão. A construção dos quatro viadutos na Agamenon Magalhães irá possibilitar a implantação do corredor exclusivo de Transporte Rápido por Ônibus (TRO) e terá 37,9 km de extensão.

Os quatro viadutos estarão centrados entre a Ilha do Leite e o Parque Amorim – em uma extensão total de 2,2 km. O investimento das obras será de R$ 476 milhões, entre recursos do Tesouro Estadual e do Governo Federal, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Copa.

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