Zona Norte

Nos morros, o que o povo quer é abastecimento d'água

Na RPA3 a pesquisa registra o maior percentual de queixas sobre o tema

 

por Alexandra Gappo | qua, 08/01/2012 - 02:32

Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens
Dona Zoede da Silva, moradora da Zona Norte da cidade, diz que a água vem um dia e falta dois

Um dos direitos básico para uma boa condição de vida, a água encanada deveria chegar na casa de Dona Zoede da Silva todos os dias, mas a realidade encontrada no Alto Jose Bonifácio, Zona Norte da cidade do Recife, é bem diferente. "A água vem um dia e falta dois. A gente armazena em caixa d’água, mas as vezes não é suficiente”, afirma a dona de casa que ainda divide o pouco que consegue guardar com mais 6 pessoas, entre eles, uma criança de 1 ano.

A falta de abastecimento e a qualidade da água foi a queixa de  7% dos moradores da Região Político Administrativa 3 (RPA3) (correspondente aos bairros de Casa Amarela, Alto José do Pinho, Jaqueira, Dois Irmãos, Sítio dos Pintos, Nova Descoberta, entre outros), entrevistados na pesquisa do Instituto Maurício de Nassau, no quesito “Qual é o principal problema da área em que você mora?”. Vale ressaltar que esse foi o maior percentual de reclamação registrado de todas as RPAs do município, de acordo com a pesquisa. 

A questão que afeta os moradores do Alto José Bonifácio, obrigou Dona Ivanilda Muniz a comprar uma caixa d’água de 2 mil litros para não precisar passar sufoco. A aposentada de 68 anos, é moradora do bairro desde dos quatro anos de idade e afirma que a situação já esteve pior. “Hoje ficamos apenas três dias sem água. Antigamente já chegamos a ficar 15 dias sem abrir as torneiras”, conta. Apesar do racionamento, Dona Ivanilda, afirma que é frequente ver canos estourados nas ruas com grande quantidade de água vazando. “Nós chegamos a ligar para a Compesa, mas eles não vêem. Nem adianta ficar tentando, então os próprios moradores resolvem o problema”, diz a moradora.

O bairro do Passarinho, localizado também na RPA3, é sempre lembrado entre os moradores da área quando o assunto é falta d’água, principalmente quando se referem à Passarinho Alto.Apesar de ter como um dos pontos de referência do local uma caixa d’agua da Compesa, no alto no morro, a professora Priscila Mendes, de 26 anos, conta que tem um gasto maior por mês já que é obrigada a comprar mais garrafões de água mineral para poder cozinhar devido a falta de abastecimento. “Ficamos três dias sem água e os baldes que guardamos não é suficiente. Além disso, preferimos cozinhar com água mineral, pricipalmente pela saúde do meu sobrinho de 1 ano. Gastamos mais dinheiro, mas não temos escolha”, diz a moradora.

O funcionário da Compesa, Ivanildo, responsável há 8 anos pelo monitoramento de água do local, explica que o bairro é abastecido pelo poço localizado na parte baixa do morro e esse bombeia água para a caixa d’agua no Passarinho Alto, que demora duas horas para encher completamente. “O problema que a caixa tem que suprir toda essa área aqui, que cresceu sem controle e agora a quantidade de água não é suficiente”, conta Ivanildo. Ele conta que quando tem água, há disperdiçio e ainda afirma que apoia o uso do relógio para o controle do excesso. “Muitos moradores ligam a mangueira e ficam molhando a rua, a calçada. Há um gasto exessivo, além de bombas clandestinas na rede, o que também faz com que a caixa d’agua daqui de cima esvazie rápido de mais”, diz Ivanildo .

Ao ser abordado por Paulo Severino, morador do bairro, pedindo que ligasse a água, o funcionário da Compesa declara que não há o que fazer, só esperar. Paulo, indignado, diz que está sem água há 24h. “A água vai embora sem a gente saber. A essa hora éramos para estar com água nas torneiras. É um absurdo”, desabafa o morador.

A reportagem do Portal LeiaJá procurou a Compesa para esclarecer sobre os investimentos previstos para resolver um problema que atinge as diversas áreas da cidade do Recife, especialmente as regiões de morro. Segundo o diretor regional metropolitano da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Rômulo Aurélio, a Compesa já tem recursos da ordem de R$ 400 milhões para serem investidos nos morros especificamente. Desse total, R$ 18 milhões já estão sendo aplicados em obra na RPA6, numa parte do bairro do Ibura, onde está em curso três processos de licitações, com ordem de serviço prevista para ocorrer até o final do mês.

Mas na Zona Norte, onde segundo os dados da pesquisa, a reclamação é maior, os moradores terão que esperar um pouco mais. Rômulo Aurélio diz que os projetos técnicos estão sendo elaborados para sanar o problema e "até o final de 2014 tudo a população dessa área terá o abastecimento d'água resolvido".

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