Praça

Moradores assumem papel da PCR

Moradores na Zona Norte do Recife aproveitaram terreno abandonado e construíram sua própria área de lazer

 

por Carolina Vasconcelos | sab, 08/04/2012 - 03:33

Foto: Hivor Danierbe/LeiaJáImagens

Na falta de espaço de lazer, de acorco com os dados do Instituto Maurício de Nassau, onde 52% apontam essa realidade no Recife, moradores do bairro da Guabiraba, na Zona Norte do Recife, assumiram a responsabilidade que seria do poder público e construiram uma praça - com  brinquedos, bancos, cerca e até um quiosque para proteger da chuva e do sol forte.

Os próprios moradores da comunidade se uniram para arrecadação de dinheiro, compra de material e construção do que hoje representa o local para a brincadeira das crianças, o encontro dos jovens e a realização de atividades culturais. O terreno onde foi construída a praça estava abandonado, sem limpeza, e o espaço ocioso chegava a ser alvo para ação de bandidos e, com frequencia, local para venda e consumo de drogas.

O sonho já existia há mais de 30 anos, mas foi apenas em 2010 que eles se reuniram para começar a tirar os planos do papel. Sem ajuda da Prefeitura, inicialmente, o jeito foi contar com a doação dos que moram no bairro e realizar cotas e rifas para a compra do material de construção necessário para a obra, além das instalações como bancos, balanços e escorregos.

“Um doou um saco de cimento, outro comprou a areia e cada um foi ajudando como pôde. Quem não podia ajudar com dinheiro, participou colocando a mão na massa mesmo. Muitas vezes vinha gente trabalhar na praça de madrugada ou então nos dias de folga. De pouquinho em pouquinho, a gente chegou lá e hoje a praça está cheia de crianças brincando. Mudou tudo”, conta a moradora Rosângela Maria da Silva, 35 anos.

Cerca de 15 voluntários se envolveram diretamente com a construção da área de lazer, a exemplo de Reginaldo Gusmão, 46. “Eu trabalho como vendedor e ajudei na pintura da praça aos domingos”, diz. Quando perguntado sobre a disposição para trabalhar na obra durante o seu único dia de descanso, Reginaldo não esconde a satisfação. “Na comunidade a gente tem que se ajudar. E o resultado está aí. Ficou ótimo”, comemora o vendedor.

Para o vigilante Manoel de Medeiros, 62, a situação da comunidade melhorou muito. “Antes as crianças não tinham onde brincar e agora a gente vê o espaço assim, bem cuidado. É muito importante para o pessoal daqui”, comenta. A força de vontade e o trabalho árduo ficou como exemplo de que a própria comunidade também pode ajudar a melhorar o local onde vive. E os maiores beneficiados são os próprios moradores.

A estudante Janaína Gomes da Silva, 16 anos, diz que todos os dias vai à praça. “Eu gosto de ficar aqui, olhando as crianças brincarem. Na sexta-feira à noite muita gente vem aqui pra conversar, se distrair, é muito divertido”, conta.

Hoje a manutenção geral da praça fica a cargo dos moradores, apesar da Prefeitura do Recife enviar funcionários da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb) para reparos pontuais na estrutura do espaço de lazer. Nada restou do local sujo e abandonado ao lado do terminal de ônibus da Guabiraba. No lugar, ficou apenas o desejo dos que moram na comunidade de manter a área bem cuidada e fruto de um sonho que tomou formas e virou realidade.

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