Economia

Geração de emprego e renda anima recifenses

Recifense elege o desenvolvimento como um dos itens bons que o prende à própria terra

 

por Carolina Vasconcelos | sab, 08/04/2012 - 19:57

Foto: Chico Peixoto/LeiaJáImagens

Para o recifense, a cidade em que vive é um bom lugar; é bonita e interessante; e está em pleno desenvolvimento. Essa é a imagem que os moradores da capital pernambucana revelam ter da sua cidade, ao responder à pesquisa Agenda Recife, do Instituto Maurício de Nassau.

O entusiasmo com o desenvolvimento, o terceiro item apontado no ranking tem tudo a ver com as oportunidades crescentes de geração de emprego e renda que a capital vive.  

“Hoje, no Recife, só não consegue trabalho quem não quer ou quem não tem capacitação adequada para determinado cargo.” É assim que a vendedora de serviços telefônicos Ana Lúcia de Barros, 35 anos, define o panorama da geração de emprego e renda na cidade.

Funcionária de uma companhia telefônica há três meses, Ana Lúcia conta que ficou desempregada apenas dois meses. “Antes era uma burocracia para a gente conseguir trabalhar. Agora não. Uma consultora da empresa me ofereceu a vaga, mandei meu currículo e pouco tempo depois eu estava empregada”, comenta.

A realidade de Ana Lúcia, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), é a mesma vivida por milhares de recifenses que estão no mercado de trabalho. Desde 2008, uma das palavras de ordem quando se fala em emprego e renda no Recife tem sido facilidade.

“A participação da capital pernambucana no que diz respeito ao cenário econômico estadual é muito expressiva. A cidade é responsável por 32% do Produto Interno Bruto (PIB) – soma das riquezas produzidas num determinado período - ”, afirma a economista do Dieese Osângela Sena. 

Os dados do Dieese também mostram que o setor de serviços é o que apresenta maior dinamismo nas atividades econômicas da capital. Mais de 80% do PIB do Recife é produzido nesse setor, que envolve atividades de ensino, transporte, comunicação, comércio, serviços médicos, de alimentação e alojamento, entre tantas outras.

Quando se fala em geração de postos de trabalho formal no Nordeste, o chamado com carteira assinada, o Recife figura no 1º lugar, com cerca de 25% dos novos postos implantados na Região – mais de 10 mil vagas preenchidas -, no primeiro semestre de 2012. Logo em seguida vem Salvador, com quase 8,5 mil novos postos, ainda de acordo com Departamento Intersindical.

O último levantamento do Ministério do Trabalho, feito em 2010, aponta que o Recife tem mais de 32 mil empresas formais, o que representa 37% de todas as empresas instaladas em Pernambuco. Desses estabelecimentos formais no Recife, mais de 85% compõem o setor de serviços.

Além de números expressivos na quantidade de empresas, a cidade apresenta bons índices também na geração de emprego formal. A capital registrou a marca de 670 mil postos de trabalho, o que significa 43% dos postos de todo o Estado.

Já quando se fala dos empregos gerados em Pernambuco no setor de serviços, o Recife se mostra como o que mais emprega, com 57% das vagas preenchidas dentro do Estado. De longe, a cidade é a que mais tem oferecido oportunidades no também chamado terceiro setor.

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Oportunidade que praticamente bateu à porta de José Robson de Castro, de apenas 20 anos. O jovem saiu de Alagoas em busca de melhores condições de vida há dois anos e encontrou no Recife um lugar de crescimento profissional. Na primeira entrevista de emprego conseguiu a vaga, mesmo sem ter experiência. Há três meses é vendedor numa loja de sapatos, no Centro da cidade, e se diz satisfeito com o que tem conquistado aqui.

“Agora quero continuar trabalhando, para quando voltar a estudar, ter experiência de mercado. Daqui só tenho expectativas boas e já me sinto recifense porque essa cidade me trouxe muitas coisas positivas”, revela o vendedor.

A economista do Dieese afirma que o crescimento de Pernambuco tem impulsionando a economia da cidade já que, como capital, recebe a maior demanda por serviços e novas atividades. “O Recife tem acompanhado a dinâmica do Estado desde 2008, quando começou a haver uma maior expansão do emprego formal.

Além disso, mais uma vez, o setor de serviços encabeça essa dinâmica pois, por ser uma área bastante diversificada, comporta oportunidades que exijem maior ou menor qualificação”, explica Osângela.

Outro setor que também tem empregado bastante é a construção civil, por conta dos novos projetos do Estado, a exemplo do Complexo de Suape, no qual estão inclusas as obras do Estaleiro Atlântico Sul e da Refinaria Abreu e Lima.

Além dessas obras, a Copa do Mundo também figura como uma grande oportunidade para a geração de novos postos de trabalho na cidade. Pelo menos essa é a expectativa dos recifenses. A pesquisa do Instituto Maurício de Nassau revela que 42% dos moradores da capital acreditam que o principal benefício da Copa do Mundo para o Recife será a geração de emprego.

A assessora executiva da Secretaria Extraordinária da Copa da Prefeitura da Cidade, Ana Cláudia Mota, confirma que o recifense pode contar sim com mais oportunidades de emprego. “Só no setor hoteleiro teremos a construção ou ampliação de dez hotéis. E isso gera uma demanda grande de funcionários para a área”, reforça.

A reportagem do Portal LeiaJá buscou dados complementares junto a respectiva Secretaria e também na Secretaria municipal de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, mas não obteve sucesso. As informações são de que ainda não há estudos consolidados que possam esclarecer o impacto no desenvolvimento econômico correspondente ou não à expectativa do recifense em relação a Copa.

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