Lazer

Faltam espaços públicos de lazer

Região Político-Administrativa 2 (RPA2), na Zona Norte da cidade é área mais carente desses espaços, de acordo com pesquisa

 

por Alexandra Gappo | sab, 08/04/2012 - 05:02

Foto: Hivor Danierbe/LeiaJàImagens

Uma área de lazer limpa e bem cuidada deveria ser obrigação em todos os bairros do município do Recife. Mas a realidade encontrada pela reportagem do Portal LeiaJá em alguns bairros descentralizados e, em sua maioria, habitados pelas classes C e D, não é esta. Na pesquisa realizada pelo Instituto Maurício de Nassau (IPMN), os dados apontam que 52% dos 2.879 entrevistados afirmam não terem áreas de lazer na localidade onde vive.

Na Região Político-Administrativa 2 (RPA2) (que compreende bairros como Torreão, Encruzilhada, Rosarinho, Água Fria, Dois Unidos, Linha do Tiro, Cajueiro, entre outros) a população lidera em reclamação quando quando o tema é abordado -  69% afirmam sentir falta de locais públicos para práticas de esportes e atividades afins.

Entre as pessoas mais prejudicadas com a falta desses locais, as crianças se destacam. Com duas filhas, uma com 4 anos e a mais velha com 8, Marinalva Ferreira, moradora da Linha do Tiro, conta que o bairro nunca teve uma área de lazer, ainda mais voltada para os pequenos. “Para elas não ficarem sempre em casa, eu as levo para brincar no Parque da Jaqueira ou vamos ao shopping”, diz a moradora que gasta dinheiro com passagem de ônibus para se deslocar para outros bairros. Marinalva ainda fala que em épocas de eleições ainda aparecem alguns candidatos que colocam pula-pula para as crianças. “Nessa época eles aparecem com alguns brinquedos para chamar atenção. Mas isso só dura o período de campanha”, conta. 

Sem depender tanto da iniciativa dos órgãos responsáveis, os moradores colocam a mão na massa e improvisam um local para, pelo menos, jogar futebol e andar de bicicleta. Na divisa dos bairros da Linha do Tiro e Beberibe, os habitantes encontraram um terreno extenso, onde colocaram barras de gol e ainda conciliam o espaço com caminhões de aluguel.

O chamado “Poerão”, as quartas-feiras e aos sábados abriga a Feira do Troca e nos outros dias, no horário da noite, Wanderley Calixto dos Santos (foto), 35, bate uma bolinha com os colegas de bairro. “Nós, aqui da Linha, só temos esse campo para jogar. Nunca houve outro lugar”, afirma o vigilante.

Ele ainda conta que já houve tentativa de invasão do local com algumas casas improvisadas, mas, segundo o morador, os “donos” do terreno “apareceram e não deixaram ninguem ficar. Até agora o campo é nosso, mas não sabemos no futuro”, diz. 

Próximo do “Poerão”, a equipe de reportagem encontrou algumas pessoas idosas jogando no Centro de Dominó e Damas do bairro do Beberibe, localizada na praça do mesmo nome. Morador da localidade há 38 anos, João Francisco de Lima, conta que o único local de lazer da região é aquela praça. “Aqui é tranquilo, a prefeitura mantem o local limpo. Mas a noite a gente vê alguns drogados na praça e isso intimida”, diz. A fiscal de lixo da Prefeitura do Recife, Claudeci Nunes, confirma a informação do morador e completa: “Acho que o local precisa de um segurança”. 

Na subida para o bairro de Dois Unidos, os primos Thaylanne Viana,17, e Rodrigo José da Silva, 12,seguiram com a reportagem para, segundo eles, o único lugar de lazer do bairro. Como em outros locais, os campos de futebol improvisados também são a única área dos moradores de Dois Unidos. O chamado campo da Minerva é um lugar preservado por moradores como o vigilante Flávio Inácio de Melo, que além de manter o campo limpo, também organiza campeonatos de futebol com as crianças e moradores do local. 

Segundo ele, a Prefeitura também coloca o campo na rota dos torneios de futebol das RPA’s, o que torna o local mais movimentado. “Desde quando eu era pequeno esse campo já existia e hoje em dia, nos finais de semana, esse campo chega a ficar com cerca de 200 meninos. Mas infelizmente não temos uma empresa que faça a limpeza desses matos aqui, que atraem muitas cobras. Então eu e mais outros cinco moradores, nos juntamos e nos fins de semana tentamos melhorar um pouco o local”, conta Flávio.

Ainda de acordo com o vigilante, o terreno fica na divisa da propriedade de duas empresas privadas que, as vezes, fazem doações de materias para a manutenção das barras, que já estão precisando novamente de reforma. Flávio teme que os proprietários do local apareçam e desocupem o campo, antes que a Prefeitura do Recife tome alguma iniciativa. “Se isso aqui acabar, não teremos mais nenhum local de lazer em Dois Unidos. Vai acabar com o único campo das crianças”, desabafa o morador. 

A reportagem procurou a Secretaria de Saúde, responsável pelo programa Academia da Cidade e a assessoria do órgão afirma que a  construção de novos núcleos da Academia da Cidade obedece a critérios específicos. Entre as quais: Ter demanda aprovada pelo Orçamento Participativo, o local ter alguma cobertura da rede municipal de saúde e área ser de vulnerabilidade social. Em resposta, a assessoria também informou que atualmente os moradores da Região Político-Administrativa 2, correspondente aos bairros da Zona Norte, já contam com quatro polos da Academia em funcionamento (Ilha do Joaneiro, Chié, Hipódromo e Alto do Capitão). Além de outros três em fase de construção (Jovem Cap, Chão de Estrelas e CSU Afrânio Godoy).

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