Risco

"Barreira das Celebridades" assusta Zona Norte

Moradores, com medo, chamam a atenção do poder público para as áreas de risco na RPA3

 

por Pollyanne Brito | ter, 07/31/2012 - 00:16

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No bairro do Vasco da Gama,  Zona Norte do Recife, uma enorme barreira praticamente invade a casa de Cleide Maria Brandão, 40. Diariamente, a aflição do risco de desabamento é motivo de tensão e tristeza. Dona Cleide já foi à Prefeitura do Recife tantas vezes que perdeu as contas. “Impostos, contas de IPTU, tudo isso chega na minha casa. Eu vou lá e pago tudo em dia. Agora cadê o compromisso com a gente? Eles não tem! Isso é um absurdo. Convivemos com o medo diário disso aqui cair e ninguém faz nada por nós” contou Cleide.

A história de Rodrigo Ferreira, também residente há 30 anos no Vasco da Gama reflete a mesma preocupação de Cleide Brandão.  Ele, que perdeu móveis, dinheiro em reformas, e sofre com o perigo de desabamento, diz que engenheiros da PCR foram ao local vistoriar a situação e, apesar de condenarem a área, nada foi feito até o momento. "Eles sempre vem aqui e dizem que é arriscado. Mandam o relatório para a Prefeitura e depois não vemos mais pé de gente. Chamam até essa barreira de Barreira das Celebridades, de tantas vezes que esse pessoal já veio aqui” lamentou.

De acordo com a Pesquisa do Instituto Maurício de Nassau, a questão da infraestrutura básica da cidade é sempre um tema espontaneamente cobrado pela população. Àreas como a terceira Região Político Administrativa (RPA3), onde se localiza a comunidade do Vasco da Gama, o tema alagamento, que nos remete às chuvas e, consequentemente, as áreas de riscos, foi um dos mais citado pelos entrevistados.

No Alto do Mandú, em Casa Amarela, ainda na Zona Norte da cidade, algumas encostas continuam amedrontando moradores do bairro. Há 57 anos, de geração em geração a família de Mauricéia Vieira de Carvalho, habita o mesmo terreno, com diversas casas partilhadas entre irmãos, tios, filhos e sobrinhos. Depois de tantos anos morando ali, o sentimento de tristeza não muda, pois o risco é constante desde sempre “A Codecir já veio por aqui muitas vezes, sabe, mas o que eles fazem é colocar lona. E a gente sabe que lona rasga. O maior medo é esse. Se desaba isso aqui, eu e minha família inteira iremos morrer. Mas já que não temos para onde ir, não temos o que fazer” relatou.

A Prefeitura da Cidade divulga que desde de outubro do ano passado, ações de monitoramento para vistorias das áreas de risco da cidade foram feitas e, a partir disso, houve a verificação nas melhorias de todos os casos desde último período chuvoso. Com isso, a PCR fecha a programação da Operação Inverno e intensifica o trabalho realizado com ações informativas, que constituem em folders para divulgação de lugares de riscos, além de vistorias técnicas em toda a cidade.

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